

ABSURDO AUTOMOTIVO
O aumento do IPI em 30 % , passando de 7% para 37% nos modelos 1.0; de 11% para 41% nos modelos com motorização flex e de 25 para 55% para os veículos com motor a partir de 2.0 e alimentados a gasolina ou diesel não muda em nada a operação das marcas que já tem maior participação( 70%) no mercado brasileiro, as mais antigas e chamadas de “quatro grandes”.
Pra se ter idéia clara, apenas três modelos importados da Alemanha, Austrália e Canadá seriam afetados. Seriam, pois as baixas vendas já nem interessavam a três das “quatro grandes”.
Acordos automotivos com Argentina e México prevêem que os veículos vindos tenham 60% de suas peças produzidas nesses países ou no Brasil, caso em que os componentes fabricados no Brasil são importados pelas montadoras instaladas naqueles dois países e montadas nos veículos destinados ao mercado brasileiro. E todas as marcas com fábricas em atividade no Brasil só importam modelos dentro desses acordos automotivos. Bom para a Argentina cujo mercado doméstico, embora tenha crescido esse ano, é pequeno e limitado.
Os modelos produzidos no Brasil devem ter 65% de peças nacionais.
A QUEM INTERESSA?
Às “quatro grandes”. Punto e basta!
A QUEM PREJUDICA?
Ao consumidor brasileiro em primeiro lugar. Os carros nacionais ou vindos dos países isentos de taxação adicional vão continuar a ser fabricados sem os itens de conforto, conveniência e segurança incorporados nos modelos importados.
Aos representantes das marcas chinesas que já têm rede de concessionárias instaladas e empregados contratados para as áreas de vendas e assistência técnica.
Aos representantes das duas marcas coreanas, que têm operações no Brasil há mais de 16 anos, e ambas com unidades de montagens de veículos no Brasil.
O MOTIVO?
As “quatro grandes” foram chorar pra mamãe Governo, que com dó das “tadinhas” canetou o absurdo que vai contra as regras da OMC Organização Mundial do Comércio.
COINCIDÊNCIA?
Em meados de julho a Chery anunciara sua primeira fábrica fora da China, a ser construída no Brasil a partir de 2012, no município de Jacareí -SP, e com término previsto para o segundo semestre de 2013. O investimento seria de 400 milhões de dólares e a produção de 170 mil veículos abasteceria todo o mercado sul americano.
No início de agosto a Jac Motors anunciara sua fábrica no Brasil, com início de produção em 2014, e capacidade para 100 mil carros/ano.

J3 da JAC: Design italiano e preço de Punto, oferecendo a mais: Duplo air bag, freio ABS e EBD, equipamento de som, rodas de liga leve e garantia de 6 anos. A versão sedan do J 3 e a MPV J 6 com opções de cinco ou sete lugares também são oferecidas aos brasileiros

O belo sedan médio J 5 é outro "incômodo" da chinesa JAC para as marcas já instaladas no mercado brasileiro.Interessante notar que Ford traz o Fócus da Argentina, assim como Peugeot e Renault fazem com os recém-lançados 408 e Fluence. A Citroen também traz da Argentina o não tão novo C 4 Pallas. A Nissan traz o Sentra e a VW o Jetta, do México.
REVERSÃO?
Possível, a partir de eventual representação(algo provável) dos governos da China e da Coréia do Sul, uma vez que prejudica a comercialização de produtos fabricados em seus territórios e que além da mais alta taxação internacional já praticada pelo Brasil, agora enfrentam a duplicidade do elevadíssimo IPI.
LAMENTÁVEL
A intenção, clara, é a de criar barreira intransponível. De volta aos anos 80? Um retrocesso de duas décadas!
O Brasil conforme letra de música, é um país belo por natureza e abençoado por Deus. Mas o brasileiro não tem muita sorte com aqueles que dirigem a nação.
DECLARAÇÕES
“Os preços de carros novos fabricados no Brasil devem ficar estáveis nos próximos meses, mas isso não é compromisso nem promessa das montadoras”. Claro, o compromisso é com a lucratividade.
Executivos das “grandes” defenderam que o governo agiu certo ao "proteger a produção, e não o mercado" . Defesa dos interesses das fabricantes instaladas no país, e não da livre circulação de produtos, independentemente da origem é anti-democrático.
IMPORTANTE FRISAR
Cerca de metade dos veículos importados para o Brasil em 2011(até agosto) vieram da Argentina e do México.
23/09/2011
DESDOBRAMENTOS
A JAC Motors já declarou suspenso o investimento previsto de US$ 600 milhões, para produzir 100 mil unidades por ano no Brasil, e que segundo a empresa, seriam gerados 3.500 empregos diretos e outros 10 mil indiretos. "A política descontínua, irracional e parcial brasileira minou fortemente a confiança da JAC e de outras montadoras em investir no Brasil. Portanto, a JAC se vê obrigada a reavaliar sua decisão de investimento no Brasil", afirmou a empresa.
A também chinesa Chery obteve uma "meia vitória" no dia 21 ao conseguiu adiar por 90 dias a cobrança do aumento nas alíquotas de IPI para os carros da marca, importados pela Venko Motors do Brasil.
24/09/2011
Também as importadoras Phoenix Comércio Internacional, de Vitória (ES) e Zona Sul Motors (Isper Comércio de Veículos), de Ribeirão Preto (SP), ambas pertencentes ao mesmo grupo obtiveram liminares, no dia 23, suspendendo a cobrança maior de IPI pelo governo até 15 de dezembro, quando o anúncio do aumento foi feito.
27/09/2011
O limite para a importação de 20 mil carros, é apenas "pro-forma". Até agosto, 7 mil automóveis vieram do Uruguai para o Brasil.
Alteração na medida provisória que aumenta a cobrança do IPI deverá ser publicada nos próximos dias, permitindo a liberação dos veículos montados no Uruguai.
CHINA
30/09/2011 Fechando o mes com "chave de ouro"
A JAC
International, matriz da JAC
Motors declarou:
"Com essa modificação radical na
lei, infelizmente, nossos planos
mudaram. O resultado desse
aumento do IPI é na realidade
equivalente a um aumento do
imposto de importação para 85%.
Essa mudança repentina e
inesperada é contra as regras de
comércio internacional, além de
ser uma medida protecionista
tomada pelo governo".
Segundo a nota
"Para iniciar uma fábrica, é
necessário criar raízes. Antes
de lançar uma operação
industrial, precisamos ampliar
nossas vendas e rede de
concessionários.
Nossa expansão abrange a criação
de milhares de empregos."
Segundo a JAC, a exigência de
65% de conteúdo local desde o
início inviabiliza qualquer nova
marca que tenha intenção de vir
a produzir um veículo no Brasil.
E, completando, afirma: "A JAC Motors considera que, sem modificações, não há como continuar o investimento e o plano anteriormente anunciados".
30/09/2011
UM PASSO ATRÁS, POR FALTA DE OPÇÃO
O governo brasileiro já admite estudar um regime diferenciado de IPI para montadoras estrangeiras que estejam se instalando ou pretendam se instalar no país.
É o caso da Hyundai, que constrói uma fábrica em Piracicaba (SP) para produzir um compacto, e da BMW, que declara pretender abrir uma unidade no Brasil.
As montadoras em instalação teriam que se comprometer a equipar no médio prazo seus veículos com 65 % de componentes produzidos no Brasil.
O modelo de
cobrança do imposto seria
escalonado e depende de análise
pela Receita Federal.
Não teria
sido melhor, mais lógico,
estudar em profundidade o
assunto antes de lançar uma
bomba(no sentido de porcaria) e
"se queimar"?
MANIFESTE-SE, ENVIANDO MENSAGEM PARA lucdellaorateam@uol.com.br
01/10/2011
PRIMEIRO PONTO POSITIVO
O presidente da Nissan/Renault
anunciou grandes investimentos
no Brasil com a instalação de
nova fábrica, da Nissan, em
Resende-RJ e ampliação da
unidade da Renault em São José
dos Pinhais-PR. A nova fábrica
terá capacidade para produzir
200 mil carros/ano e a ampliação
da planta paranaense permitirá à
Renault fazer 300 mil carros/ano
(a capacidade atual é de 220 mil
carros/ano). O objetivo da
Nissan/Renaut é chegar no Brasil
ao seu índice de participação
internacional que é ao redor dos
10%. No Brasil, o grupo detém
atualmente 6,5%, sendo apenas 1%
com a marca Nissan e o restante
com a Renault. Dentro de cinco
anos, a montadora espera ter 5%
com a marca japonesa e 8% com a
francesa. Vamos pensar que entre
3 e 3,5 % e algo como 6,5 a 7%
já será um bom avanço. E aí a
soma equivaleria ao que ocorre
pelo mundo. Resta aguardar os
próximos lances do "jôgo".
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UM MÊS APÓS O ANÚNCIO DO ABSURDO
Foi suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o aumento imediato do IPI para veículos importados, até que tenha transcorrido o prazo de 90 dias da edição da norma, referente ao Decreto 7.567/2011. Agora, novo quebra-cabeças para as devoluções dos valores "a maior" pagos por alguns consumidores que compraram carros por preços compostos pelo IPI aumentado indevidamente.
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