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20/09/2011

ABSURDO AUTOMOTIVO

O aumento do IPI em 30 % , passando de  7% para 37% nos modelos 1.0; de 11% para 41% nos modelos com motorização flex e de 25 para 55% para os veículos com  motor a partir de 2.0 e alimentados a gasolina ou diesel não muda em nada a operação das marcas que já tem maior participação( 70%)  no mercado brasileiro, as mais antigas e chamadas de “quatro grandes”.

Pra se ter idéia clara, apenas três modelos importados da Alemanha, Austrália e Canadá seriam afetados. Seriam, pois as baixas vendas já nem interessavam a três das “quatro grandes”.

Acordos automotivos com Argentina e México prevêem que os veículos vindos tenham  60% de suas peças produzidas nesses países ou no Brasil, caso em que os componentes fabricados no Brasil são importados pelas montadoras instaladas naqueles dois países e montadas nos veículos destinados ao mercado brasileiro. E todas as marcas com fábricas em atividade no Brasil só importam modelos dentro desses acordos automotivos. Bom para a Argentina cujo mercado doméstico, embora tenha crescido esse ano, é pequeno e limitado.

Os modelos produzidos no Brasil devem ter 65% de peças nacionais.

A QUEM INTERESSA?

Às “quatro grandes”. Punto e basta!

A QUEM PREJUDICA?

Ao consumidor brasileiro em primeiro lugar. Os carros nacionais ou vindos dos países isentos de taxação adicional vão continuar a ser fabricados sem os itens de conforto, conveniência e segurança incorporados nos modelos importados.

Aos representantes das marcas chinesas que já têm rede de concessionárias instaladas e empregados contratados para as áreas de vendas e assistência técnica.

Aos representantes das duas marcas coreanas, que têm operações no Brasil há mais de 16 anos, e ambas com unidades de montagens de veículos no Brasil.

O MOTIVO?

As “quatro grandes” foram chorar pra mamãe Governo, que com dó das “tadinhas” canetou o absurdo que vai contra as regras da OMC Organização Mundial do Comércio.

COINCIDÊNCIA?

Em meados de julho a Chery anunciara sua primeira fábrica fora da China, a ser construída no Brasil a partir de 2012, no município de Jacareí -SP, e com término previsto para o segundo semestre de 2013. O investimento seria de 400 milhões de dólares e a produção de 170 mil veículos abasteceria todo o mercado sul americano.

Chery
Chery QQ, pelo preço de Uno ou Ka(básicos), traz freio ABS, duplo air bag e equipamento de som.                                                                                                           A marca tem no Brasil  também os modelos Cielo(hatch e sedan), Face(monovolume) e Tiggo(SUV)

No início de agosto a Jac Motors anunciara sua fábrica no Brasil, com início de produção em 2014, e capacidade para 100 mil carros/ano.

J3 da JAC: Design italiano e preço de Punto, oferecendo a mais: Duplo air bag, freio ABS e EBD, equipamento de som, rodas de liga leve e garantia de 6 anos.      A versão sedan do J 3 e a MPV J 6 com opções de cinco ou sete lugares também são oferecidas aos brasileiros

REVERSÃO?

Possível, a partir de eventual representação(algo provável) dos governos da China e da Coréia do Sul, uma vez que prejudica a comercialização de produtos fabricados em seus territórios e que além da mais alta taxação internacional já praticada pelo Brasil, agora enfrentam a duplicidade do elevadíssimo IPI.

LAMENTÁVEL

A intenção, clara, é a de criar barreira intransponível. De volta aos anos 80? Um retrocesso de duas décadas!

O Brasil conforme letra de música, é um país belo por natureza e abençoado por Deus. Mas o brasileiro não tem muita sorte com aqueles que dirigem a nação.

DECLARAÇÕES

Os preços de carros novos fabricados no Brasil devem ficar estáveis nos próximos meses, mas isso não é compromisso nem promessa das montadoras”. Claro, o compromisso é com a lucratividade.

Executivos das “grandes” defenderam que o governo agiu certo ao "proteger a produção, e não o mercado" . Defesa dos interesses das fabricantes instaladas no país, e não da livre circulação de produtos, independentemente da origem é anti-democrático.

IMPORTANTE FRISAR

Cerca de metade dos veículos importados para o Brasil em 2011(até agosto) vieram da Argentina e do México.

23/09/2011

DESDOBRAMENTOS

A JAC Motors já declarou suspenso o investimento previsto de US$ 600 milhões, para produzir 100 mil unidades por ano no Brasil, e que segundo a empresa, seriam gerados 3.500 empregos diretos e outros 10 mil indiretos. "A política descontínua, irracional e parcial brasileira minou fortemente a confiança da JAC e de outras montadoras em investir no Brasil. Portanto, a JAC se vê obrigada a reavaliar sua decisão de investimento no Brasil", afirmou a empresa.

A também chinesa Chery obteve uma "meia vitória" no dia 21 ao conseguiu adiar por 90 dias a cobrança do aumento nas alíquotas de IPI para os carros da marca, importados pela Venko Motors do Brasil.

24/09/2011

Também as importadoras Phoenix Comércio Internacional, de Vitória (ES) e Zona Sul Motors (Isper Comércio de Veículos), de Ribeirão Preto (SP), ambas pertencentes ao mesmo grupo obtiveram liminares, no dia 23, suspendendo a cobrança maior de IPI pelo governo até 15 de dezembro, quando o anúncio do aumento foi feito.

27/09/2011

Os carros produzidos no Uruguai (35% de conteúdo local).poderão ser importados pelo Brasil sem pagar o percentual adicional de IPI anunciado dia 15. Carros produzidos no Brasil devem ter 65% de componentes nacional. Mais um contra-senso, ou brecha para atender a mais algum interêsse das montadoras já instaladas?

O limite para a importação de 20 mil carros, é apenas "pro-forma". Até agosto,  7 mil automóveis vieram do Uruguai para o Brasil.

Alteração na medida provisória que aumenta a cobrança do IPI deverá ser publicada nos próximos dias, permitindo a liberação dos veículos montados no Uruguai.

CHINA

Reunião  do Ministério do Comércio da China com o Itamaraty, agendada para o dia 27, em Brasília foi adiada por iniciativa do governo chinês. Que melhor sinal a China poderia ter dado?
A Associação dos Carros de Passeio da China, entidade que reúne as principais montadoras do país, declarou que o ajuste abrupto "provocou estragos na confiança mútua".

30/09/2011 Fechando o mes com "chave de ouro"

A JAC International, matriz da JAC Motors declarou: "Com essa modificação radical na lei, infelizmente, nossos planos mudaram. O resultado desse aumento do IPI é na realidade equivalente a um aumento do imposto de importação para 85%. Essa mudança repentina e inesperada é contra as regras de comércio internacional, além de ser uma medida protecionista tomada pelo governo".

Segundo a nota  "Para iniciar uma fábrica, é necessário criar raízes. Antes de lançar uma operação industrial, precisamos ampliar nossas vendas e rede de concessionários. Nossa expansão abrange a criação de milhares de empregos." Segundo a JAC, a exigência de 65% de conteúdo local desde o início inviabiliza qualquer nova marca que tenha intenção de vir a produzir um veículo no Brasil.

E, completando, afirma: "A JAC Motors considera que, sem modificações, não há como continuar o investimento e o plano anteriormente anunciados".

30/09/2011

UM PASSO ATRÁS, POR FALTA DE OPÇÃO

O governo brasileiro já admite estudar um regime diferenciado de IPI para montadoras estrangeiras que estejam se instalando ou pretendam se instalar no país.

É o caso da Hyundai, que constrói uma fábrica em Piracicaba (SP) para produzir um compacto, e da BMW, que declara pretender abrir uma unidade no Brasil.

As montadoras em instalação teriam que se comprometer a equipar no médio prazo seus veículos com 65 % de componentes produzidos no Brasil. 

O modelo de cobrança do imposto seria escalonado e depende de análise pela Receita Federal.

Não teria sido melhor, mais lógico, estudar em profundidade o assunto antes de lançar uma bomba(no sentido de porcaria) e "se queimar"?

MANIFESTE-SE, ENVIANDO MENSAGEM PARA lucdellaorateam@uol.com.br

01/10/2011

PRIMEIRO PONTO POSITIVO

O presidente da Nissan/Renault anunciou grandes investimentos no Brasil com a instalação de nova fábrica, da Nissan, em Resende-RJ e ampliação da unidade da Renault em São José dos Pinhais-PR. A nova fábrica terá capacidade para produzir 200 mil carros/ano e a ampliação da planta paranaense permitirá à Renault fazer 300 mil carros/ano (a capacidade atual é de 220 mil carros/ano). O objetivo da Nissan/Renaut é chegar no Brasil ao seu índice de participação internacional que é ao redor dos 10%. No Brasil, o grupo detém atualmente 6,5%, sendo apenas 1% com a marca Nissan e o restante com a Renault. Dentro de cinco anos, a montadora espera ter 5% com a marca japonesa e 8% com a francesa. Vamos pensar que entre 3 e 3,5 % e algo como 6,5 a 7% já será um bom avanço. E aí a soma equivaleria ao que ocorre pelo mundo. Resta aguardar os próximos lances do "jôgo".

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20/10/2011

UM MÊS APÓS O ANÚNCIO DO ABSURDO

Foi suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o aumento imediato do IPI para veículos importados, até que tenha transcorrido o prazo de 90 dias da edição da norma, referente ao Decreto 7.567/2011. Agora, novo quebra-cabeças para as devoluções dos valores "a maior" pagos por alguns consumidores que compraram carros por preços compostos pelo IPI aumentado indevidamente.

 

 

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